- E ela te faz mal?
- Não, claro que não. Nunca fui tão amada, desejada e
valorizada antes. Mas sei que não conseguiria corresponder tudo isso de volta e
detesto a ideia de manter uma pessoa por vaidade.
- Uau, você amadureceu mesmo.
Ela estava radiante com minha atitude de pensar no
sentimento do outro, de ter responsabilidade afetiva. Mas, se minha aliada é
meu reflexo, sabia que também existia tristeza em saber que estava renunciando
a alguém que realmente poderia me amar por algo maior.
- O que te impediu de entrar em um relacionamento?
- Meu trabalho, eu tenho grandes chances de ser da
coordenação da revista se minha coluna fizer sucesso. Mas até agora não pensei
em nada.
- Sobre o que se trata a coluna?
- Por ser uma das mais novas na CH, a editora chefe me deu
liberdade para falar do mundo teen, das gerações e o que elas vivem,
tendências, dia a dia. Tudo que for moda ou um dilema para a atualidade.
- Você está com a resposta do que digitar nas mãos. – Me
olhou como se estivesse pensando o mesmo que ela.
- Eu tenho certeza que não. – A olhei sem entender nada.
- Relacionamentos. A maioria das meninas sonham com o
príncipe encantado, e os meninos nunca sabem como chegar em alguém. Faça
entrevistas perguntando sobre o que eles esperam quando namorarem, cantadas
ruins, dates, flertes. Mas acho que para que tenha maior reconhecimento e que
os leitores tenham mais contato com você, comece falando das próprias
experiências.
- Você é genial!
Pulei de felicidade e corri para dar um beijo no espelho. Ela não desfez os braços cruzados, mas sorriu largamente desaparecendo. Hora de trabalhar.
Preparei meu almoço e voltei para o quarto. Com meu notebook do lado e o prato no meu colo, dei play em ‘Idas e vindas do amor’ para me inspirar. Esse é o começo de uma matéria de sucesso.
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